quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Lua de Inverno: Parte 1 - Sexo e Violência


02 de Junho, Segunda, 18:07.

Não sei como cheguei em casa. Não lembro do dia anterior. Minha última lembrança é do ocorrido na Redenção, e mesmo assim é muito vaga. Meu corpo dói. Minha cabeça parece que vai explodir. Nenhum ferimento. Nada, exceto uma leve cicatriz no ombro. Tonto demais pra sequer querer pensar em alguma coisa. Me arrasto pro banheiro, na esperança de que um banho quente vá me ajudar. Toda a esperança é em vão, afinal...

O barulho da água era ensurdecedor. Desliguei o chuveiro e me dei conta de que podia ouvir os passos dos pedestres na rua... e eu moro no oitavo andar!!! Minha cabeça parecia rachar com o barulho dos carros, e aquilo me causou um acesso de raiva tão grande que eu batia com a cabeça na parede. Bati até a parede... rachar? Olho no espelho, usando o máximo de vontade que me resta, e minha cabeça parece intacta, no entanto a parede do meu banheiro tem uma rachadura de fora-à-fora, como se tivesse sido golpeada por uma marreta! Quando minha audição voltou ao normal eu pude tomar um banho, e flashbacks me vieram à cabeça. Sangue. Dentes. Uivos...

19:02.

Meus nervos estavam à toda. Minha cabeça ainda doía, então fui atrás da única coisa que me ajuda nessas horas: cerveja. Fui num barzinho na Cidade Baixa, e tudo parecia me irritar: os outros motoristas, as pessoas na rua, os mendigos... eu sentia vontade de matar todos. De fato, mataria. O tempo todo no bar, eu sentia alguma coisa me revirar as tripas, e uma queimação que me subia do estômago à garganta. Um cara desses bombados de academia tentou pegar uma mina à força lá no bar, e essa queimação me fez sentir desafiado, desrespeitado. Perdi o controle. Fui puxar briga com o magrão. Ele ergueu o punho e me golpeou. Minhas tripas reviraram, eu senti o deslocamento de ar na trajetória do soco, e vi o punho dele em câmera lenta. Segurei o soco com tanta força que senti os ossos da mão dele trincarem. Um movimento, e eu quebrei o braço dele. Fratura exposta. O sangue jorrava, e eu senti o cheiro. Senti vários cheiros. Era como se meu olfato fosse 10 vezes mais poderoso. Senti o cheiro do sangue, e isso faz algo nas minhas tripas se agitar, mas o que mais me impressionou, foi sentir o cheiro do medo do sujeito. Chutei a cara dele com força, quebrando nariz e mandíbula. Fui embora, extremamente assustado e confuso. Eu era forte, rápido e, acima de tudo, quase sem controle. Nunca briguei em bares. Detesto brigar. Quase matei um homem. E gostei...

22:14.

Chegando no meu prédio, aquela coisa com a audição começou de novo. Carros, pessoas, o vento. Tudo me irritava. Minha cabeça doía demais. Quando o elevador estava chegando, eu conseguia distinguir alguns barulhos específicos. Me concentrei em um que parecia uma briga de casal. E era. O casal do AP na frente do meu. Saio do elevador e encontro a filha deles abraçada nos joelhos, no corredor. Não tinha mais de 14 anos, e tentava esconder as lágrimas. Nunca tinha prestado atenção naquela piá, mas dessa vez, a reviravolta nas tripas e a queimação me fizeram olhar pra ela. Ela tinha cabelos castanhos e a pele era meio cor de terra. Ela olhou pra mim, nossos olhos se encontraram. Olho no olho, aquela sensação nas tripas aumentava, mudava, e a guria mudava também. Ela parecia estar com calor, e depois de um tempo começou a parecer faminta, e me olhava como se eu fosse um maldito churrasco. Perdi o controle, como na briga no bar. Tomei ela pela mão e levei pro meu AP. Eu não era mais dono de mim. Transei com ela por horas, de formas que nem poderia descrever. Fui mais animal que gente. Sexo selvagem, sem explicação. Disso eu sei que gostei, mas, como na briga do bar, não era eu.

Terça, 03 de Julho, 04:26 da manhã.

A guria dorme na minha cama. Eu sento no sofá, confuso, tentando entender que porcaria aconteceu. Quase matei um homem. Transei com uma guria 10 anos mais nova que eu, e que eu mal conheço. Como eu fiz essas coisas? Como eu posso ouvir o prédio todo claramente? E os cheiros. Posso sentir o cheiro de suor do corpo da guria misturado ao perfume barato dela. O cheiro do gozo dela misturado ao cheiro de sangue da virgindade dela entranhados no meu lençol. Sinto o cheiro da buceta dela. Sinto o cheiro do mofo nas paredes. O cheiro do meu whisky no armário. O cheiro das árvores lá fora. Sinto todos esses cheiros.

Não sei que porra é essa, mas sei que me mata de medo.

Lá fora, vento, sussurros, uivos...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Lua de Inverno: Prólogo

31 de Maio, Sábado, 4:00 da manhã.


É engraçado como em noites frias, as ruas de Porto Alegre ficam vazias. Ou talvez eu é que esteja bêbado demais pra notar outras pessoas.
Bêbado. Essa é a palavra. Uma dúzia de latas de Polar e algumas doses de Red Label são o preço pra esquecer meu dia infeliz no meu emprego miserável e, talvez mais importante, minha solidão. Solidão auto-imposta, devo reconhecer, mas ser anti-social tem seu preço. Um preço meio amargo...

Caminho devagar, vez por outra trocando as pernas. Queria estar no meu carro, mas ser um motorista consciente também tem um preço desagradável às vezes: esse vento gelado, transporte público, ter que andar... coisas que eu evitaria se tivesse bebido em casa, como de costume. Por outro lado, se estivesse de carro, não poderia ver a lua. Essa lua cheia, que sempre me deixou, de certo modo, fascinado...

Chego no parque da Redenção. Está deserto, a não ser por um ou outro mendigo. Novamente, estou bêbado demais. À essa hora, passar por aqui é pedir pra ser assaltado, mas estou bêbado demais pra pensar direito. Começo a atravessar o parque. Sinto uma brisa gelada. Me sinto estranho... observado. Bêbado demais, logo esqueço. Esqueço o caminho. Muitas árvores ao meu redor. E escuridão. Bêbado demais, pois seria capaz de jurar que podia sentir alguma coisa, como se espíritos estivessem presentes. O vento nas árvores soava como o lamento dos mortos. Ouço vozes, sussurros. Rosnados?

Bêbado demais, minha corrida é lenta e atrapalhada. Bêbado demais, tenho a impressão de ver um vulto se mover rapidamente por entre as árvores à minha frente... à minha esquerda... atrás de mim... me cercando? Adrenalina demais, começo a correr feito louco. O vulto me persegue por entre as árvores. Vejo campo aberto à frente, alguma esperança se acende.... toda esperança é em vão, afinal...

Poucos metros da saída, o vulto salta sobre mim. Sinto minha perna queimar, meu sangue escorrer. A coisa era muito rápida. Rápida demais pros meus olhos bêbados demais. Um segundo ataque. Dentes se enterram no meu ombro, meus ossos se partem, meus ouvidos doem com a força do meu próprio grito. Eu caio, aos poucos perdendo a consciência. O vento gelado, sussurros, um uivo...

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Chega desse Preconceito babaca!!!


Esse é o meu primeiro post em caráter de protesto, e duvido que vá ser o último, tanto quanto duvido que alguém vá se prestar a ler.
 Como vocês podem ver na foto, eu sou cabeludo. E me orgulho disso, porra!
Mas parece que as empresas acham que cabelo comprido é sinônimo de mau-profissional, de vagabundo, de relaxado, de drogado, enfim.
Bom, eu sou um bom profissional, não sou vagabundo, tomo banho todos os dias, não uso drogas (o primeiro que mencionar o show do Metallica vai tomar porrada até ficar tetraplégico), e mesmo assim, não consigo emprego por ter cabelo comprido.
Puta que pariu!!!!
Quando essa cultura retrógrada vai deixar de existir nessas empresas que nem grande coisa são?
Vocês pedem pra um negão mudar de cor, ou pra um judeu mudar de religião? (ah, mas aí o Edmundo ou a Botinho me vem com "uma coisa não tem nada a ver com a outra". Nada a ver porra nenhuma!! Preconceito é preconceito) Não, porra, vocês não pedem! E por que? Pra não se encrencarem com a lei por discriminação.
Quero chamar a atenção dos senhores para um detalhe: a Constituição deste país me garante o direito de usar o cabelo como eu bem entender. Vocês estão sendo preconceituosos e discriminativos. Não só comigo, mas com centenas de cabeludos deste país que só querem trabalhar, e pra isso são obrigados a se desfazer de suas crinas que cultivaram com tanto trabalho e afinco.
Vão tomar no cu, bando de filha da puta!
Cabeludos, tatuados, negros, judeus e fãs de Lady Gaga também são seres humanos.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Feliz Saturnália


Não quero ofender religião nenhuma, mas a verdade sobre o natal é essa: um feriado pagão.
Na verdade vários: desde a Saturnália até o nascimento de Mithras, deus babilônico do fogo e da luz.
Então, pra todos vocês, de coração, Feliz Dia de Mithras.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dia dos Mortos


O vento de novembro
Anuncia esse dia
Velas, flores e rezas
Ás vezes até vigílias


Hoje é o dia dos mortos
Dia de lembrar os falecidos
Ainda que falecidos estejam
Em memórias continuam ativos


Católicos, Luteranos , Budistas
Pagãos, Espíritas, Ateus
Todos prestam uma visita
Para aqueles a quem deram Adeus


Não quero visitas ao túmulo
Prefiro ser cremado
Não que eu ache um cúmulo
Mas já estarei mesmo acabado

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Sozinho


Não sei o que deveria escrever aqui.
Queria escrever alguma coisa que transmitisse solidão, mas realmente não sei.
Acho que não sei por que deveria escrever. Nem sei por que ainda mantenho esse blog.
Nunca tenho nada de bom pra postar, e duvido que alguém se importe, por que eu mesmo não dou a mínima.
Mesmo assim, depois de escrever toda a baboseira que me vier na cabeça, eu vou publicar isso.
Por que? Será na esperânça de que alguém diga alguma coisa? Que diferênça faria?
Não faço a menor idéia do por que, mas faço assim mesmo.
Certas ações não precisam fazer sentido. Por isso estou pouco me fodendo se alguém vai ler isso ou não.

Então, por que eu escrevo?
Queria escrever alguma coisa sobre solidão desta vez, mas não me ocorre nada.
E até o fim da tarde, já vou estar bêbado de whisky e cheirando a cigarro, e vou continuar me sentindo assim, sozinho.
Escrevo isso por que minto pra mim mesmo, dizendo que escrever vai me fazer sentir melhor.
Não faz.
Whisky e cigarros me fazem sentir melhor.
E mesmo assim, eu escrevo...

domingo, 11 de setembro de 2011

Revelations


"O God of Earth and Altar,
Bow down and hear our cry,
Our earthly rulers falter,
Our people drift and die,
The walls of gold entomb us,
The swords of scorn divide,
Take not thy thunder from us,
But take away our pride."


Just a babe in a black abyss,
No reason for a place like this.
The walls are cold and souls cry out in pain.
An easy way for the blind to go,
A clever path for the fools who know.
The Secret of the Hangman ­ the smile on his lips.

The light of the Blind ­ you'll see,
The venom that tears my spine,
The Eyes of the Nile are opening ­ you'll see.

She came to me with a serpents kiss,
As the Eye of the Sun rose on her lips.
Moonlight catches silver tears I cry.
So we lay in a black embrace,
And the Seed is sown in a holy place,
And I watched and I waited for the Dawn.


The light of the Blind ­ you'll see,
The venom that tears my spine,
The Eyes of the Nile are opening ­ you'll see.


Bind us all together,
Ablaze with Hope and Free.
No storm or heavy weather,
Will rock the boat you'll see.
The time has come to close your eyes,
And still the wind and rain.
For the one who will be King,
Is the watcher in the Ring.
It is You.


Minha simplória homenagem ao Iron Maiden...